sábado, 31 de janeiro de 2009

A Minha Moda Pessoal Particular

A nova silhueta é solta, ampla, reta, abalonado, justa, sexy, intelectual, minimalista, colorida, estampas combinadas, simétrica, descontruída, folgada, skinny, em tons de off-white, vermelho para os homens, rouge para as mulheres, azul, cinza, o pretinho básico volta com tudo, só não vale marron acessórios muito chamativos, bolsas grandes, tecidos naturais, couro, e-fabrics, tafetá, náilon, seda, renda, com ares boho, hobo, gipsy, ladylike, grunge, étnicos, japonistas, modernistas.

Uau.

Macro-tendências, micro-tendências. Fim das tendências, com a validade de todas as tendências.

A moda está mais democrática?
Sim, com certeza.

E os preços?
Ah... os preços? Ah. Você sabe. A crise.

Sei sim.

O que eu desejo, enquanto consumidor?

Me destacar, mesmo nessa epóca cinzenta?
Ser o homem-Ronaldo Fraga? Ser a poderosa mulher-Forum?

Ou ser Gustavo mesmo, correndo o risco?

Os anúncios incessantes de cortes, de redução, de remanejamento, de adoção de pacotes de auxílio, me deixam com os nervos à flor da pele.

Eu amo a moda, mas parcelada - coisas de quem não tem salário.

E eu sei, todo mundo que adora a moda sabe, que as roupas tem um custo alto. Não exige que seja dito que, grande parte destas, não custa metade da metade do valor de etiqueta e que vale muito mais a pena arriscar a chegada da sale season. A não ser que você tenha grana em caixa. Mesmo sabendo que estamos sendo explorados, nos rendemos aos desejos consumistas.

Ainda mais quando se decreta que tudo pode.
Se tudo pode, as chances de errar são grandes. Mas a de acertar são ainda maiores.

Se produzir, e ajudar os amigos a se produzirem fica incrível.

Não sei.
O "nirvana", da Osklen, está me chamando. Grafite, bege ou musgo?
267 reais, as duas primeiras, 367, a última.

Mesmo assim.

Não posso com sarouel. Quadril largo. A Glória já disse que é "democrática". Mal para todo mundo. Eu adorei. Se fica mal até nela, eu não tenho do que me envergonhar.

Divago.
Melhor ir pensar na nirvana - quem sabe meditando não chego lá, sem necessidade de consumir.

Até.

A Moda é Marginal

Moda: "1. Uso, hábito ou estilo geralmente aceito, variável no tempo, e resultante de determinado gosto, meio social, região, etc. 2. Uso passageiro que regula a forma de vestir, etc. 3. Arte e técnica do vestuário. 4. Maneira, modo. 5. Modinha." Aurélio, 2000.

Pois sim, está explicado de maneira convincente? Moda é isso aí.
Disse o Aurélio.

Eu, no entanto, tenho uma opinião mais subjetiva. Moda, para mim, é aquela vontade louca de usar sarouel. Mesmo sem poder.

Moda é sentir o arrepio de prazer que antecede o desfile da Prada - e ficar os seis meses seguintes pensando na roupa, e no que é que a mulher estava querendo dizer e o que nós tiramos disso.

Moda é ler um milhão de blogs por dia, é escrever um blog de moda.

Moda é a expressão intíma e profunda do ser e do querer ser, do não ser, do tentar dizer, sem gritar, do fazer. Do aparecer, do entender, do manifestar. Tudo a mesma coisa? Redundância da minha parte?

Não.

Moda é mais do que se pode expressar. Nunca conseguirei dizer completamente o que sinto, quando vejo a roupa, nem quando visto. Este blog é a tentativa.

Encerro com Lya:

"Termino o livro e fecho o computador sabendo que por mais que os escritores escrevam, os músicos componham e cantem, os pintores e escultores joguem com formas, cores e luzes -, por mais que o contexto paralelo da arte expresse o profundo contraditório sentimento humano, embora dance à nossa frente e nos convoque até o último fio de lucidez, o essencial não tem nome nem forma:
é descoberta e assombro, glória ou danação de cada um." Lya Luft, Perdas e Ganhos.

Depois dessa, não tem mais o que dizer. Espero não soar pretensioso.